Existem hotéis que se distinguem pela arquitetura, outros pela localização ou pela excelência do serviço. E há aqueles que conseguem reunir ...
Existem hotéis que se distinguem pela arquitetura, outros pela localização ou pela excelência do serviço. E há aqueles que conseguem reunir todos os critérios, acrescentando uma dimensão histórica e cultural que os torna verdadeiramente singulares. O Olissippo Lapa Palace pertence a esta categoria. Instalado num palácio oitocentista, no coração de um dos bairros mais emblemáticos de Lisboa, este hotel de cinco estrelas preserva a elegância, entre salões históricos, obras de arte, um jardim lindíssimo e uma vista privilegiada sobre o Tejo.
A estadia é muito mais do que uma experiência de hotelaria de luxo. É uma oportunidade para descobrir um património arquitetónico que atravessou gerações, conhecer os vestígios de uma época em que os grandes palácios eram palco de encontros da alta sociedade e desfrutar de uma proposta gastronómica que valoriza a tradição portuguesa e a criatividade contemporânea.
À chegada, percebe-se que a identidade deste hotel não reside apenas na sumptuosidade dos seus interiores ou na tranquilidade dos seus jardins. Está, sobretudo, na forma como a história se mantém presente em cada espaço, sem comprometer o conforto e a sofisticação que caracterizam a hotelaria de excelência, além da equipa atenciosa que nos recebe.
Um palácio com raízes na história de Lisboa
Para compreender a singularidade do Lapa Palace, importa recuar ao século XVIII, a um período em que Lisboa começava a reconstruir-se após o terramoto de 1755. Foi neste contexto que Jacinto Fernandes Bandeira, primeiro Barão de Porto Covo, mandou construir a sua residência na Rua de São Domingos, dando início ao desenvolvimento do bairro da Lapa. A designação do lugar terá origem na expressão «Lapa da Moura», associada à ideia de Rocha dos Mouros.
Mais de um século depois, em 1870, o Visconde de Porto Covo mandou edificar uma residência para um dos seus filhos, no mesmo bairro. A casa acabaria por ser vendida ao Conde de Valenças, Luís Leite Pereira Jardim, natural de Coimbra, nascido em 1844, que viria a transformar profundamente o edifício, convertendo-o num palácio digno da aristocracia lisboeta.
Licenciado em Direito, com uma carreira ligada à escrita e à vida pública, o Conde de Valenças mudou-se para Lisboa em 1877, onde foi eleito vereador da Câmara Municipal. A sua intervenção na vida da cidade incluiu iniciativas destinadas à melhoria das escolas e à concretização de projetos municipais. Foi também um homem de gosto e um apaixonado pelas artes, características que se refletiram na concepção da sua residência.
Em 1887, obteve autorização para remodelar a casa e transformá-la num palácio. Para concretizar este projeto, reuniu alguns dos mais reconhecidos artistas portugueses da época, entre os quais Rafael Bordalo Pinheiro e o seu irmão Columbano Bordalo Pinheiro. O resultado foi uma residência de grande requinte, concebida para acolher os encontros sociais da aristocracia e refletir o estatuto e a sensibilidade artística do seu proprietário.
A intervenção de Rafael Bordalo Pinheiro, figura incontornável da cerâmica portuguesa do século XIX, ficou marcada pela criação de mobiliário e azulejos concebidos para o palácio. Já Columbano, um dos grandes nomes da pintura portuguesa, deixou uma das marcas artísticas mais expressivas do edifício: os frescos da atual Sala Columbano, originalmente o salão de baile da residência.
Sob o tema «Dançando pelo Tempo», o pintor representou diversas figuras da sociedade da época, incluindo membros da aristocracia, como o Conde de Arnoso e o Visconde de Sacavém, bem como o filho mais velho do próprio Conde de Valenças. Mais do que um elemento decorativo, esta composição constitui um testemunho artístico de uma sociedade e de um período histórico, conferindo ao espaço uma identidade muito própria.
A antiga Sala Luís XV, por sua vez, era o boudoir das senhoras, um espaço reservado à convivência feminina, de acordo com os costumes sociais da época. No primeiro piso, correspondente atualmente ao piso nobre do hotel, encontrava-se a sala de jantar, enquanto a torre, hoje integrada numa das suítes, servia originalmente de quarto de vestir ao Conde. Daí, o proprietário podia contemplar Lisboa e o rio Tejo.
O palácio tornou-se conhecido pelas recepções e pelos eventos sociais que o Conde de Valenças organizava, reunindo personalidades da alta sociedade lisboeta. A imponência dos salões, a decoração artística e os jardins contribuíam para criar um cenário à altura dessas celebrações, numa época em que a arquitetura residencial era também uma expressão de prestígio e influência.
De residência aristocrática a hotel de referência
O palácio permaneceu na família do Conde de Valenças até 1988, ano em que os seus herdeiros o venderam à família Simões de Almeida, que decidiu convertê-lo numa unidade hoteleira. O projeto de transformação ficou inicialmente a cargo do arquiteto Alberto Cruz, cuja experiência na área permitiu delinear uma intervenção orientada para a preservação da identidade original do edifício. Após a sua morte prematura, o filho, Manuel Cruz, assumiu a continuidade dos trabalhos.
A reconstrução prolongou-se durante cinco anos, num processo que exigiu especial atenção à conservação dos elementos históricos e artísticos. Um dos acontecimentos mais inesperados durante as obras foi a descoberta de um aqueduto, que obrigou a trabalhos adicionais e atrasou a abertura do hotel. Atualmente considerado património histórico, este vestígio acrescenta mais um capítulo à história do edifício.
A preservação do património foi uma das prioridades da intervenção. A antiga sala de armas, hoje denominada Sala Belém, manteve a sua configuração original, enquanto os vitrais das salas Columbano e Eça de Queirós continuam a testemunhar a riqueza artística do palácio. Também o mobiliário da Sala Eça de Queirós e a respectiva alcatifa, com cerca de 170 anos, integram este legado.
Em 1992, o hotel abriu finalmente as portas ao público, sob a designação Hotel da Lapa. Em 1998, passou a integrar a Orient-Express Hotels, grupo internacional associado à hotelaria de luxo, e, em Junho de 2009, foi adquirido pelo grupo privado Olissippo Hotels, passando a designar-se Olissippo Lapa Palace.
A elegância intemporal dos quartos e das suites
Com 95 quartos, distribuídos por duas alas, Palácio e Jardim, o hotel conjuga diferentes ambientes, mantendo uma linguagem decorativa marcada pela elegância clássica, pela riqueza dos materiais e pela atenção aos detalhes.
A ala Palácio concentra grande parte da herança histórica do edifício, com espaços que preservam elementos arquitetónicos e decorativos da antiga residência. A ala Jardim, por sua vez, estabelece uma relação mais direta com os espaços verdes que envolvem o hotel, proporcionando uma atmosfera de tranquilidade.
Entre as unidades mais emblemáticas encontra-se a Suíte Conde de Valenças, redecorada em 2003, com mobiliário produzido em Paços de Ferreira. Os artesãos recriaram peças inspiradas nos estilos D. João V, D. Maria I e D. José, respeitando a estética histórica do palácio e incorporando referências de diferentes correntes decorativas, do art déco ao neoclássico, passando pelos estilos colonial e algarvio.
A porcelana da Vista Alegre, constitui outro elemento distintivo da decoração dos quartos do palácio.
Um jardim tropical no coração de Lisboa
Um dos grandes privilégios é a envolvente exterior, o hotel dispõe de amplos jardins tropicais, que estabelecem uma relação harmoniosa com a arquitetura do palácio.
A vegetação exuberante, as árvores e os recantos criam uma atmosfera de serenidade, particularmente apreciada numa cidade onde o ritmo urbano nem sempre permite encontrar espaços de verdadeira tranquilidade. A presença da piscina exterior, rodeada pelo jardim, reforça esta sensação de refúgio, tornando o espaço particularmente convidativo.
Aberta habitualmente entre Maio e Setembro, a piscina exterior é aquecida durante o dia, mantendo uma temperatura de cerca de 25 graus. Existe também uma piscina destinada às crianças, permitindo que o espaço seja usufruído por famílias.
Entre os tons verdes e azuis, o Lapa Palace revela esse raro privilégio de poder estar no centro da cidade e, ainda assim, sentir-se absolutamente longe dela.
A experiência prolonga-se no Spa, onde os hóspedes e sócios têm acesso gratuito à piscina interior aquecida, ao ginásio equipado, ao banho turco e à sauna. Um conjunto de instalações que complementa a oferta de bem-estar e permite desfrutar do hotel ao longo de todo o ano, independentemente da estação.
Um pequeno-almoço que merece tempo
A oferta é generosa e diversificada, com uma excelente seleção de viennoiserie, padaria e pastelaria, fruta fresca, bebidas quentes e frias e uma impressionante variedade de queijos nacionais e internacionais, entre os quais é difícil não nos perdermos. Mas há um detalhe que faz verdadeiramente a diferença: grande parte da pastelaria é confeccionada no próprio hotel e as opções mudam diariamente.
É um pormenor particularmente apreciável para quem permanece vários dias. Em vez de encontrar sempre a mesma oferta, há novidades a descobrir a cada manhã.
À mesa chegam ainda pratos quentes preparados no momento, numa escolha que vai muito além do habitual. As panquecas são, naturalmente, obrigatórias, mas existem muitas outras opções feitas à hora, contribuindo para uma proposta cuidada e generosa, à altura de um clássico da hotelaria lisboeta.
E depois há os pastéis de nata, confeccionados no próprio hotel, absolutamente imperdíveis!
O pequeno-almoço é uma das experiências da estadia que merece ser vivida sem pressa. E é assim que se começa o dia da melhor forma.
Restaurante Lapa, uma celebração dos sabores mediterrânicos e portugueses
A gastronomia assume um papel central na experiência do hotel, através do Restaurante Lapa, cuja proposta combina receitas tradicionais mediterrânicas com uma seleção de pratos clássicos portugueses, reinterpretados com uma abordagem contemporânea.
Sob a orientação do chef executivo Hélder Santos, a cozinha privilegia os ingredientes frescos e sazonais, respeitando a identidade dos produtos e a autenticidade dos sabores.
É uma cozinha que procura estabelecer uma relação entre memória e modernidade, sem perder de vista aquilo que verdadeiramente importa à mesa: a qualidade da matéria-prima, o equilíbrio dos ingredientes e a identidade de cada prato.
A refeição começa com uma proposta que conjuga a textura crocante do marisco com a frescura dos vegetais grelhados e a intensidade aromática das frutas tropicais: Gambas crocantes com cogolho grelhado, molho agridoce de papaia, abacaxi e maracujá. As gambas são envolvidas em fios de batata, previamente untados com manteiga clarificada, e fritas até adquirirem uma textura estaladiça. A passagem final pelo forno permite concluir a preparação, preservando a suculência do camarão.
A acompanhar, um chutney agridoce de papaia, abacaxi e maracujá, chalota refogada em manteiga e uma redução que concentra os sabores.
O cogolho é temperado com molho Caesar e anchovas picadas, numa combinação que introduz uma dimensão salgada e umami. Os rebentos de coentros completam o prato com uma nota herbácea e fresca.
A Sopa de agrião com ovo escalfado, presunto crocante e azeite de tomate seco apresenta uma interpretação sofisticada de um prato reconfortante, construído a partir de uma base de legumes cuidadosamente refogados em azeite. Cebola, cenoura, batata, curgete, brócolos, espargos verdes, alho-francês e alho seco compõem a preparação, posteriormente triturada com agrião fresco até adquirir uma textura cremosa e homogénea.
O parmesão ralado e a manteiga são incorporados no final, contribuindo para a untuosidade e profundidade do creme, enquanto os temperos são ajustados para preservar o equilíbrio dos sabores vegetais.
O ovo escalfado, preparado em água com um pouco de vinagre de vinho branco, é cozinhado durante cerca de três minutos, mantendo a gema cremosa. A sua presença acrescenta riqueza ao conjunto, sobretudo quando combinada com a textura delicada da sopa.
A contrastar, o presunto de Parma é cortado em fatias muito finas e frito até ficar estaladiço, introduzindo uma componente crocante e um sabor salgado de grande intensidade. O azeite de tomate seco, obtido através da trituração das pétalas de tomate com azeite e de um repouso de 24 horas, concentra os aromas do tomate e acrescenta uma dimensão mediterrânica ao prato.
A Cataplana de lírio, mexilhão e lingueirão com batata-doce de Aljezur, aromatizada com coentros é um dos pratos mais representativos da tradição gastronómica portuguesa, particularmente associada ao Algarve, e surge aqui numa interpretação que valoriza os produtos do mar e a riqueza dos sabores mediterrânicos.
A preparação começa com o lírio, cuidadosamente limpo, sem pele nem espinhas, e cortado em cubos generosos. A base aromática é elaborada com cebola, pimentos vermelho e amarelo, alho esmagado, louro e sementes de coentros, refogados em azeite até os legumes ficarem tenros.
O vinho branco é adicionado para libertar os aromas e permitir a evaporação do álcool, seguindo-se os caldos de peixe e de mexilhão, que conferem profundidade ao molho. A redução destes líquidos, juntamente com o molho de tomate previamente preparado, cria uma base rica e aromática, na qual o peixe e os restantes ingredientes vão terminar a sua confecção.
O mexilhão e o lingueirão são preparados a vapor, preservando os seus sucos naturais, que são posteriormente aproveitados para enriquecer o caldo. O lírio é então cozinhado na base da cataplana, ao qual se juntam os moluscos já preparados e os coentros frescos picados.
A batata-doce de Aljezur, de polpa laranja, merece especial destaque. Depois de cozida em água aromatizada com alho e tomilho, é cortada em rodelas generosas e frita, adquirindo uma textura exterior mais firme, que contrasta com a suavidade do interior. A finalização com azeite virgem extra reforça os aromas e a ligação entre os ingredientes.
O Robalo grelhado com tagliatelle de legumes marinados, molho de toranja, mel e tomilho propõe uma abordagem mais delicada, na qual a subtileza do peixe é acompanhada por uma composição de legumes cortados em finas tiras, evocando a forma do tagliatelle. A combinação de cenoura, curgete, beterraba, abóbora, alho-francês e funcho permite criar uma diversidade de cores, texturas e sabores.
A preparação contempla ainda batata, cebola e chalota, integradas numa composição que recorre ao vinho branco, ao fumet de peixe e às natas, formando uma base aromática e cremosa. O robalo, grelhado, preserva a delicadeza da sua carne e o sabor característico de um peixe de textura firme e suave.
O elemento diferenciador reside no molho de toranja, mel e tomilho. A acidez cítrica da toranja, o carácter naturalmente doce do mel e as notas aromáticas do tomilho estabelecem um contraste interessante com a delicadeza do robalo. A combinação sugere uma interpretação contemporânea da cozinha mediterrânica, em que os sabores cítricos e herbáceos contribuem para uma experiência mais fresca e equilibrada.
A tradição da cozinha portuguesa encontra uma expressão particularmente interessante na proposta de Leitão confitado a baixa temperatura com molho avinagrado e clementina, migas de caldo verde, feijão-frade e pão torrado com azeite, que combina técnicas de confecção lenta com elementos clássicos da gastronomia nacional.
O leitão de porco preto é cuidadosamente desossado, mantendo-se a estrutura da carne em forma de manta, e temperado com uma pasta de banha, alho, pimenta preta, louro e sal grosso. A marinada prolonga-se durante 24 horas, permitindo que os aromas se integrem na carne antes da confecção.
No dia seguinte, o leitão é enrolado e confitado em banha, a uma temperatura de 100 graus, durante cinco horas. Este processo lento permite obter uma carne tenra e suculenta, que, depois de arrefecida e porcionada, regressa ao forno a uma temperatura elevada, de 230 graus, durante cerca de 30 minutos, para finalizar a preparação e conferir à superfície uma textura mais crocante.
O molho avinagrado dos pezinhos é outro dos elementos distintivos do prato. Elaborado a partir dos ossos do leitão, previamente dourados em azeite e manteiga, incorpora um fundo de legumes, polpa de tomate, coentros, alho e vinho branco, que vai sendo lentamente reduzido até adquirir uma consistência espessa e concentrada. Os pezinhos, previamente cozidos e picados, são adicionados ao molho, juntamente com sumo de clementina fresca, manteiga e coentros, criando uma composição de sabor intenso, enriquecida pela acidez cítrica.
A clementina surge também sob a forma de gel, preparado com sumo fresco e ágar-ágar, que permite obter uma textura uniforme e uma apresentação precisa no empratamento. Este elemento acrescenta uma nota de frescura e acidez, estabelecendo um contraponto à riqueza da carne confitada.
A acompanhar, as migas de broa de milho e couve, preparadas com pequenos cubos de broa fritos em azeite e alho, aos quais se junta couve cortada em juliana e feijão-frade previamente cozido. A mistura é moldada e servida com puré de feijão-frade, numa composição que recupera os sabores da cozinha tradicional portuguesa, conferindo-lhes uma apresentação contemporânea.
O resultado é uma proposta de forte identidade nacional, que respeita a tradição do leitão e das migas, introduzindo técnicas de confecção lenta e elementos cítricos que renovam a composição.
A arte da pastelaria: tradição e criatividade
A experiência gastronómica no Restaurante Lapa prolonga-se pela pastelaria, sob a orientação do chef de pastelaria Victor Gorgulho, responsável por uma seleção de sobremesas que revela o cuidado técnico e a criatividade da equipa.
Destaco uma que recupera a tradição da doçaria conventual portuguesa, através do ananás dos Açores caramelizado com gelado de pudim Abade de Priscos, e outra que revisita um clássico italiano, sob a forma de uma esfera de tiramisù com chocolate negro, cremoso de café e sponge cake de cacau.Ananás dos Açores caramelizado com gelado de pudim Abade de Priscos. Nesta sobremesa, o ananás dos Açores é o protagonista de uma composição que combina a doçura natural da fruta com os aromas quentes das especiarias e a riqueza de uma das mais emblemáticas receitas da doçaria conventual portuguesa.
O ananás é descascado, cortado em segmentos e envolvido num caramelo preparado com açúcar e mel, ao qual se juntam estrela de anis e pau de canela. A fruta cozinha durante alguns minutos, absorvendo os aromas do caramelo, antes de ser colocada em sacos próprios para confecção a baixa temperatura, juntamente com uma pequena quantidade do xarope. A cozedura em forno a 82 graus, durante 20 minutos, permite preservar a textura e concentrar os sabores.
O acompanhamento é um gelado de pudim Abade de Priscos, uma das sobremesas mais características da doçaria portuguesa, tradicionalmente preparada com gemas, açúcar, vinho do Porto e toucinho. A receita do hotel recupera estes elementos, começando por uma calda de açúcar, água, canela e bacon, que é posteriormente incorporada nas gemas pasteurizadas, juntamente com vinho do Porto.
O preparado é cozido em banho-maria, até adquirir a consistência característica do pudim, e depois arrefecido. Paralelamente, é elaborada uma base de gelado com leite, natas, gemas, açúcar e ingredientes técnicos próprios da pastelaria profissional, que é pasteurizada e combinada com parte do pudim. A mistura segue para a máquina de gelados, sendo posteriormente enriquecida com pedaços da preparação original.
A sobremesa estabelece, assim, um diálogo entre a acidez e a frescura do ananás, a doçura do caramelo, as notas aromáticas da canela e do anis e a intensidade do pudim Abade de Priscos. A temperatura fria do gelado contrasta com a fruta caramelizada, numa interpretação contemporânea que homenageia a tradição doceira portuguesa.
A Esfera de tiramisu, chocolate negro, streusel de cacau, cremoso de café e sponge cake de cacau é a sobremesa mais exuberante da carta, com a árvore de algodão doce. A esfera de tiramisu é uma sobremesa de inspiração italiana, reinterpretada através de diferentes técnicas de pastelaria e de uma apresentação que valoriza a componente visual. A composição integra meia esfera de chocolate negro, creme de tiramisu, streusel de cacau, cremoso de café e sponge cake de cacau, numa combinação de texturas que explora a intensidade do chocolate e os aromas do café.
O aparelho de tiramisu é preparado com queijo mascarpone e natas, batidos até obter uma textura cremosa. Em separado, é elaborada uma calda de açúcar e água, aquecida até atingir 121 graus e incorporada lentamente nas gemas batidas com baunilha. Este processo, característico da preparação de uma base de gemas cozidas com calda quente, permite obter um creme de estrutura estável e aveludada. Depois de arrefecido, é combinado com a mistura de mascarpone e natas, sendo a gelatina incorporada para conferir consistência.
As meias esferas de chocolate negro são preenchidas com o creme de tiramisu, ao qual se juntam cerejas amarena, cuja acidez e intensidade frutada contrastam com a riqueza do mascarpone. A composição é finalizada com o sponge cake de cacau, que acrescenta uma textura leve e esponjosa.
O streusel de cacau, preparado com manteiga, açúcar demerara, farinha, cacau, grué de cacau e amêndoa moída, é cozido até adquirir uma textura crocante. O grué de cacau, obtido a partir de pedaços de amêndoa de cacau torrada, confere uma nota amarga e uma textura adicional, enquanto a amêndoa contribui para a profundidade aromática.
O cremoso de café, por sua vez, combina natas, chocolate branco e pasta de café, numa preparação aquecida e ligada com gelatina, que resulta numa textura sedosa e num sabor intenso. O sponge cake de cacau, elaborado com ovos, açúcar, glucose, farinha e cacau, é cozido no micro-ondas durante um minuto, uma técnica que permite obter uma estrutura particularmente leve e arejada.
Um cenário de eleição para eventos e celebrações
A dimensão histórica e arquitetónica do palácio proporciona também um enquadramento privilegiado para eventos privados, reuniões empresariais, casamentos e celebrações especiais.
O hotel dispõe de diferentes salas, com características e capacidades distintas, permitindo adaptar os espaços à natureza de cada ocasião.
A diversidade dos espaços permite acolher desde reuniões de carácter reservado até eventos de maior dimensão, num ambiente que combina funcionalidade, património e elegância. A possibilidade de realizar celebrações em salas históricas, algumas das quais conservam elementos artísticos originais, constitui uma característica distintiva da oferta do hotel.
Um hotel distinguido internacionalmente
Ao longo das últimas décadas, o Lapa Palace tem reunido distinções nacionais e internacionais que reflectem o seu posicionamento na hotelaria de luxo. Entre os reconhecimentos mais relevantes encontram-se os atribuídos pelos World Travel Awards, nos quais o hotel conquistou, durante vários anos consecutivos, o título de World's Leading Classic Hotel. Em 2025, foi distinguido como Best Classic Hotel, prolongando um percurso de reconhecimento internacional na categoria de hotelaria clássica.
Estes reconhecimentos, provenientes de diferentes publicações, plataformas de avaliação e entidades internacionais, integram o percurso do hotel e reforçam a sua notoriedade no sector da hotelaria de luxo.
Ao longo da sua história como hotel, o Lapa Palace recebeu inúmeras personalidades internacionais, entre as quais membros de famílias reais, chefes de Estado, figuras da política, escritores, artistas e músicos.
Entre os nomes encontram-se várias famílias de casas reais europeias. Também personalidades políticas como George Bush, Jacques Delors, Kofi Annan e Angela Merkel figuram na lista de ilustres visitantes. Além de vários vencedores do prémio Nobel.
O universo artístico e cultural está igualmente representado por nomes como Robert De Niro, Catherine Deneuve, Monica Bellucci, John Malkovich, Colin Farrell, Isabel Allende e José Saramago, entre muitos outros. No panorama musical, destacam-se artistas e bandas como: The Queen, U2, Paul McCartney, Sting, Bruce Springsteen, Bryan Adams, Bon Jovi, Tina Turner, Cher, Liam Gallagher, Rod Stewart, Barbara Streisend, Fergie, Selena Gomez e Lenny Kravitz, entre outras dezenas.
A presença destas figuras internacionais ao longo dos anos contribuiu para consolidar a reputação do Lapa Palace como um dos endereços de referência da hotelaria lisboeta, mantendo a tradição de hospitalidade que esteve na origem do palácio.
A arte de preservar o passado e acolher o presente
Há uma característica que distingue particularmente o Lapa Palace: a capacidade de preservar a identidade de um edifício histórico, adaptando-o às exigências da hotelaria contemporânea. A arquitetura, os frescos de Columbano, os elementos decorativos de Rafael Bordalo Pinheiro, os vitrais, o mobiliário de época e os jardins constituem um património que ultrapassa a dimensão estética, contando uma parte da história de Lisboa e da própria sociedade portuguesa.
Num cenário privilegiado da capital, o hotel continua a afirmar-se como um lugar onde a história, a arte, a gastronomia e a hospitalidade se encontram. Um palácio que soube transformar-se sem perder a sua essência, mantendo viva a memória de uma época e proporcionando, simultaneamente, uma experiência de luxo contemporânea.
Agradeço a toda a equipa do Olissippo Lapa Palace, pela simpatia, disponibilidade e profissionalismo, que contribuíram para uma estadia memorável e que, diariamente, trabalham para preservar a identidade e a excelência deste emblemático hotel lisboeta.
Morada e contactos:
Olissippo Lapa PalaceRua do Pau de Bandeira nº 4,
1249-021 Lisboa










































